SWAP Cambial

SWAP Cambial

A SWAP é um derivativo financeiro que, de forma simultânea, promove a troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros entre agentes econômicos . O Banco Central usa este instrumento para suavizar movimentos muito voláteis no mercado de câmbio por meio do SWAP Cambial.


O Que é SWAP

O termo SWAP deriva do inglês e significa “troca”.

Este é um contrato derivativo que tem como objetivo a troca de rentabilidades ou índices entre duas partes no mercado financeiro.

As empresas que realizam o SWAP tem como objetivo, principalmente, mitigar alguns riscos financeiros envolvidos em suas operações.

Tipos de SWAP

Embora o foco deste post seja sobre o SWAP cambial, existem inúmeras outras modalidades de SWAP, desde ouro x bovespa até alguma commoditie qualquer.

Na realidade, qualquer instrumento serve para fazer um SWAP, desde que se tenha um contrato estipulando os termos.

Assim, se o investidor quisesse fazer um contrato de SWAP trocando a rentabilidade futura do bovespa +5% pela variação das médias de temperatura na cidade de São Paulo +6%, bastaria ele conseguir um banco para intermediar a troca.

O investidor pode fazer SWAP de câmbio, taxa de juros, ouro, índices, commodities, inflação, etc.

Não tem mistério: na prática, o investidor estará trocando a rentabilidade de um indexador por outro.


Como Funciona o SWAP

Nesta seção darei um exemplo prático.

Imagine que você tenha emprestado para alguém a quantia de R$ 10.000 e a pessoa ficou de te pagar, em um ano, o valor de R$ 10.000 mais 12%.

Você tem a expectativa de que neste ano o dólar vá subir e que compensa ficar posicionado na compra em dólar.

Como seu caixa está comprometido com a dívida, você resolve ir ao seu banco e fazer um contrato de SWAP no valor de R$ 10.000, onde você vai trocar a rentabilidade de sua dívida por dólar +5%.

Assim, você ficará passivo (a pagar) em R$ 10.000 +12% e ativo (a receber) em variação do dólar +5%.

Ao final de um ano, digamos que a variação do dólar tenha sido de +12%.

Como fica para o investidor:

SWAP Cambial
Resultado da SWAP.

Ou seja, ao final de um ano, o investidor deverá receber do contrato de SWAP a diferença de R$ 560.


SWAP Cambial

O Banco Central Brasileiro (BCB) oferece a SWAP para proteger o câmbio contra variações excessivas da moeda norte-americana em relação à nossa.

A oferta é feita tendo como troca a variação da taxa Selic para o período que valer a SWAP.

É importante que o leitor saiba que há dois tipo de SWAP cambiais:

  1. SWAP Tradicional.
  2. SWAP Reversa.

Quem compra a SWAP está ativo em Selic e passivo em variação cambial, e vice-versa.

SWAP Cambial Tradicional

Na SWAP tradicional, o BCB tem como objetivo conter a valorização do dólar.

Para tal, o BCB oferece ao investidor o pagamento da variação do dólar no período acordado e recebe do mesmo a variação da taxa Selic no mesmo período, ou seja, ele compra a SWAP.

Com isso, o investidor não tem que ir ao mercado comprar dólares, pois, receberá, ao final do contrato de SWAP, valor correspondente.

Assim, com menos compra de dólares no mercado a vista de câmbio, a expectativa é que o mesmo ganhe menos valor ante ao real, tirando a pressão sobre o câmbio.

Retirado do site do BCB:

No contrato de swap, o BC se compromete a pagar ao detentor do swap a variação do dólar, acrescida de uma taxa de juros (“cupom cambial”), e a receber a variação da taxa de juros doméstica acumulada no mesmo período (taxa Selic). Portanto, quem vende esse contrato fica protegido caso a cotação do dólar aumente, mas, tem de pagar a taxa Selic para o comprador, no caso o BC.

Swap Cambial
Esquema retirado do site do BCB.

Para o investidor, esta operação seria equivalente à estar vendido em dólar.

O BC ganha somente se a variação do câmbio for menor que a variação da Selic no período acordado, ou seja, seria como se o BC estivesse apostando na queda do dólar.

SWAP Cambial Reverso

Aqui, o objetivo é outro: conter a desvalorização do dólar.

Para tanto, o BC oferece o pagamento da taxa Selic ao investidor e tem a receber a variação do câmbio do mesmo período, ou seja, ele vende a SWAP.

Por isso o mesmo se chama “reverso”, pois, é a operação tradicional trocando as pontas.

Embora instintivamente para nós seja estranho conter a queda do dólar, o mesmo faz muito sentido para o Brasil que é um grande exportador de commodities.

O impacto se dá diretamente na balança comercial brasileira, que é parte do cálculo do PIB.

Neste SWAP, para o BC ganhar a variação do câmbio tem que ser maior que a variação da SELIC, como se o BC estivesse apostando na alta do câmbio.


Impactos no Mercado Futuro de Dólar

Como já visto, o impacto da SWAP se dá diretamente na taxa de câmbio, com a expectativa de frear a valorização ou desvalorização da moeda norte-americana.

Nesta seção veremos os principais impactos que você deve se preocupar.

Horários da SWAP

A SWAP passa por três estágios:

  1. Anúncio: BCB publica a informação que fará SWAP em tal dia e horário.
  2. Janela de negociação da SWAP: BCB faz e recebe propostas dos dealers.
  3. Resultado: BCB publica o resultado das ofertas.

É importante ter em mente que, logo no anúncio, dealers costumam se antecipar ao movimento, vendendo dólar no caso do SWAP tradicional e comprando dólar no caso do SWAP reverso.

Não é regra, mas, acontece.

Caso o BC não aceite as propostas ou as aceite de forma parcial, pode ocorrer uma reversão do movimento iniciado no anúncio.

Leilão Anunciado vs. Surpresa

Para o trader, é muito importante que o mesmo fique ligado em quando vai acontecer os leilões de SWAP, pois, pode impactar diretamente em seus negócios.

Alguns leilões são anunciados previamente pelo BCB, enquanto outros ocorrem sem aviso prévio no mercado.

Como é de se esperar, o leilão surpresa tem um impacto maior pelo fator “surpresa” do que o leilão anunciado.

Quando o leilão é anunciado, os players podem pressionar a cotação da moeda nos horários da SWAP para forçar o BC a fazer um negócio mais vantajoso para os players, embora a volatilidade gerada seja menor.

Tamanho e Frequência

Claro que quanto maior for o valor do SWAP, maiores os lotes dos dealers para travarem suas posições com posições compradas e vendidas no mercado futuro.

No anúncio da SWAP o BCB deixa claro o montante a ser ofertado.

Aceitação (BCB e Dealers)

Os dealers avaliarão a proposta do BCB e verão se a mesma atende aos seus critérios.

Cada dealer tem sua própria forma de avaliar a proposta, tornando impossível adivinhar o resultado da SWAP.

É preciso compreender que nem sempre o mercado aceita todas as condições impostas pelo BCB, impactando diretamente nos preços.

Assim como nem sempre o BCB vai aceitar todas as propostas feitas pelos dealers.

Temos, então, mais um fator para por na conta, que é a aceitação dos envolvidos das condições propostas.

Contexto

Geralmente, quando o BC oferece a SWAP é porque o câmbio, segundo visão do BC, está com fluxo atípico ao esperado.

Isso não quer dizer que o efeito esperado vai ser alcançado pelo BC, pois, como sabemos, há inúmeros fatores que impactam no mercado de câmbio.


Informações Sobre SWAP

Para ficar antenado em quando vão acontecer SWAPs o investidor pode visitar o próprio site do BCB.

Ao clicar no link acima, escreva no campo “Conteúdo” a palavra “swap” e aperte ‘enter’:

Swap Site BCB
Print da tela do site do BCB.

Conclusão

Os leilões de SWAP são comuns, mas, não vão afetar tanto o dia-a-dia do trader em dias de volatilidade normal.

É muito importante que o trader entenda como funciona os contratos, mas, não tente adivinhar o lado ou criar viés quando houver o anúncio.

Guilherme Farina

Guilherme Farina foi aluno da Formação Day Trader Pro e hoje faz parte da equipe DTP. É formado em Administração de Empresas pela PUC-SP e pós-graduado em Economia pela FGV-SP. Empresário desde 2009 e investidor no mercado financeiro desde 2005, iniciou sua carreira como day trader em 2017.
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