O Principal Trabalho do Trader Não é Comprar ou Vender

O Principal Trabalho do Trader Não é Comprar ou Vender

Para o entendimento do título desse post você precisa ir mais fundo no próprio.

Você quando começou a explorar o maravilhoso mundo do day trading, provavelmente, pensou na grande quantidade de capital que poderia fazer com o relativo pouco trabalho envolvido: ficar sentado em frente a um computador comprando e vendendo ativos e pronto, fortuna certa!

Melhor essa expectativa do que a realidade CLT com obrigações, prazos, chefe e tudo mais que preenche a infeliz rotina de um trabalho comum.

Tão logo você inicia na carreira e já descobre que não é bem assim. E nem poderia ser, nada é tão fácil assim. Após seu primeiro grande loss então…

Se não desistir da carreira com a desilusão, sabe que vai ter que correr atrás de instrução.

Agora, vamos com calma. Há instruções e instruções por aí nesse rico universo da internet. Há inúmeros “profissionais” do mercado financeiro prontos para dar a call: “aqui é compra, ali é venda”. Mas, isso é para outro post, outra hora.

A única coisa que posso dizer quanto a isso é: não vá para o lado negro do trading!

Definindo as coisas

Vamos, então, definir instrução no trading como:

A educação recebida para o desenvolvimento de instrumentos intelectuais a fim de se operar no mercado financeiro com consciência dos seus atos.

E é aí que o verdadeiro trabalho começa. O trabalho no trading é o estudo, o processo. Quando comecei a ter contato com a comunidade do day trading, um dos meus mentores sempre dizia:

Foco no processo!

Na época eu não entendia isso muito bem. Para falar a verdade, não entendia mesmo!

O trader iniciante e os bonobos

Eu queria era abrir a plataforma e clicar, que processo, o que?! Clicar para comprar e vender é fácil, qualquer macaco treinado faz (principalmente se forem bonobos). É, na verdade, por onde todos começamos.

Mal abrimos uma conta na corretora e já fazemos nossa primeira transferência, abrimos a plataforma online de Home Broker e partimos para as compras.

Lembra-se disso? Lembra de ter comprado alguma bluechip porque “não tinha como dar errado com essa estatal”? Não quero perder o foco, vamos voltar ao assunto em questão.

Começando pelo fim

O que ninguém nos ensina, porém, é que o clique de compra e/ou venda deveria ser a última coisa a se fazer, e não a primeira. Provavelmente, você não concorda, mas, o “clique” não é um clique.

O clique da plataforma é uma maneira moderna de se fazer o handshake, de apertar as mãos e dizer “negócio fechado“. Em outras palavras, o que está acontecendo é o seguinte:

Comprador/Vendedor: Ok, concordo em comprar/vender esse determinado ativo, nessa determinada quantidade e nesse determinado preço.

Vamos olhar dessa maneira: quando você, por exemplo, compra uma ação ou um lote de ações da Petrobrás, seja preferencial ou ordinária, na prática o que você está fazendo é se tornando sócio da empresa, pelo tempo em que decidir segurar essa ação.

Na teoria, você está comprando essa empresa porque acredita que, num futuro próximo ou longo (aí vai do seu horizonte de investimento) ela vai estar mais cara, certo? O que fez você chegar nessa conclusão? Por que decidiu comprar aquela determinada empresa, naquele determinado dia, naquela determinada quantidade e preço?

Houve algum estudo por trás disso, mesmo que insuficiente (e é aí que mora o perigo).

Um exemplo fácil de entender

Quando, por exemplo, uma empresa decide comprar outra o que acontece são horas e mais horas de estudos. São advogados estudando todas as questões legais envolvidas desde o processo de aquisição até as prováveis futuras demissões.

Uma equipe de analistas financeiros fazendo inúmeras análises para saber da viabilidade do negócio, quanto vale a determinada empresa, quanto pagar por ação, qual impacto que terá na empresa atual, etc.

Sem contar a área comercial e as horas envolvidas em cada detalhe da negociação.

São incontáveis horas e mais horas de estudos.

Considerando o tempo que leva um aperto de mão e todo estudo envolvido, qual é o verdadeiro trabalho?

O que isso tem a ver com trading?

No day trading é a mesma coisa, não se engane. Claro que é importante clicar, estar no game, entender como funciona sua plataforma, o mercado, os ativos que opera.

Esse post não é para desencorajar a clicar ou para dar refúgio aos que tem medo de fazê-lo. É para trazer à consciência que essa parte (o clique) é a menor parte de nosso trabalho.

O mais importante é o que fazemos quando não estamos olhando para a plataforma.

É o estudo de mercado, de novas técnicas de trading, novas ferramentas, aquela conversa com seu mentor e/ou colega de trading compartilhando conhecimento, a análise pós-trading, é tudo isso e, também, o que acontece dentro da plataforma.

Há grandes traders, como o Peter Davies da Jigsaw Trading, que, numa entrevista exclusiva em nosso canal do YouTube, disse que faz até 5 trades por dia.

Ou seja, é muito mais tempo estudando e analisando do que clicando como louco (cuidado com o overtrading). O trabalho do day trading é o estudo.

Como meu mentor sempre diz: “Foco no processo“. O dinheiro será consequência do seu estudo, foque em sua educação.

Guilherme Farina

Guilherme Farina foi aluno da Formação Day Trader Pro e hoje faz parte da equipe DTP. É formado em Administração de Empresas pela PUC-SP e pós-graduado em Economia pela FGV-SP. Empresário desde 2009 e investidor no mercado financeiro desde 2005, iniciou sua carreira como day trader em 2017. Hoje é um grande estudioso da área e se define como "um trader em eterno processo de aprendizado".
Fechar Menu